quarta-feira, 11 de março de 2009

O Menino Invisível


Monólogo da Velha

Bem-vindo a nossa casa,

quem nela sempre demora

Vívidalegriaquimora:

no coração ardem brasas.

Bem-vindo a nossa casa,

quem lhe deu tanto carinho,

vento invisível no ninho

do beijaflor bate asasas.

Seja bem-vindo, menino

do viso sempre alegre,

correndo feito uma lebre,

matreiro deusdodestino.

Seja bem-vindo, menino

que semprestevecomigo,

teu peito nu, meu abrigo,

teu desalinho, meu tino.

Eternos anos de lida

bulindo no caldeirão,

misturo co'a solidão

minhamargura de vida.

Eternos anos sozinha,

entresonhos e magia,

na deserta companhia

Da eternidade mesquinha.

Menino, vem com teu grito,

abate o velho direito,

transmuda o largonoestreito

desdiz o dito inaudito.

Menino, vem com teu fito,

pois se teu dorso não vejo,

ardonoadorno, harpejo
a tez do teu infinito.

Em 1983/1984 adaptei para teatro, a pedido de Humberto Pedrancini, o conto de Bradbury, O Menino Invisível. Ganhamos um prêmio de montagem da Fundação Cultural de Brasilia e Humberto dirigiu o espetáculo. Eu participei como ator. Na época, escrevi este monólogo em versos, que nunca mostrei ao Humberto e que pensava transformar em canção, o que nunca fiz. Dias atrás, criei esse blog . Como tinha que dar um nome, chamei-o O Menino Invisível. Ai me lembrei desse monólogo que tinha dedicado à minha tia Eloina e ao meu primeiro sobrinho e afilhado, Gregório.

2 comentários:

Antonio Alves disse...

Seja benvindo, menino. Poesia e amizade em tempo desmedido.

Cafu disse...

Gostei!...e o poema do frontispício é bem bacana.
Longa vida para O Menino Invisível que acaba de nascer! Que ele cresça saudável, criativo e feliz.
Beijos.