Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

COR ANIS

narciso 1 
           sonho
ser de repente
o siso risonho
da    serpente

narciso 2 
lagoa tranquila
lisongeia minha cara
late o cão lilás

narciso 3
fica o dito pelo não dito
sonego meu credo
ao espelho que fito

fica o dito pelo bendito
do meu segredo
só Deus conhece o rito

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

AUTOAJUDA

morrer é enfadonho

viva a vida

faça do dia a dia um sonho

sábado, 23 de novembro de 2013

Sumir
Assumir o esconderijo
das minhas penas
E ficar horas a fio
comigo e meus poemas



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

31 de outubro. Dia do Saci

















Quem foi que te viu
Passar por aqui?
Da cor do tiziu
Chapéu encarnado
Cachimbo encantado
Bem brasileiro, Saci!

Zombando matreiro
Zunindo assobio
Astuto, ligeiro
Sorrindo, rodando
Assombra brincando 
Bem brasileiro, sumiu!

Apagou a vela
Febril redopio
Queimou a panela
Espantou o gado
Dinheiro achado
Bem brasileiro, meu tio!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Quadrinhas portuguesas

SAUDAÇÕES
Tchau, Portugal! Foi legal!
Simonetta, Lisboeta: foi porreta!
Santo Antonio de Lisboa: voltarei numa boa!

QUADRINHAS PORTUGUESAS
No Porto deixei amores
Em Lisboa deixei amigos
Portugal quando quiseres
outra vez serei contigo

No Porto, rua das Flores
Em Lisboa, a Mouraria
A vida tem suas dores
Portugal, muita poesia

No Porto, muitos os vinhos
Em Lisboa, muitas sardinhas
Santo Antonio, meu padrinho
Sant'Ana, minha madrinha

Caldo verde, bacalhau
Galhinha cabidela
Saramago, Capicua
Sophia, Pessoa, Florbela

Na rua da palmeira
nossa casa lisboeta
recebeu-nos Florbela
tia de Simonetta

COM CERTEZA
Ser poesia
ser Pessoa
ser Sophia
ser Lisboa

sábado, 9 de outubro de 2010

Um soneto

Negra Colina

Meus olhos serão teus, negra colina,
vestiu-te o dorso a lua, pálido zero,
capaz de revelar na noite albina
a paz serena e sã, meu desespero.
A luz traça um contorno e alucina
as árvores de mapa tão austero.
O que era solidão vira rotina,
onde arava o mistério, ora o mero.
A música do vento prende forma,
o abismo da vereda se desvia,
na casinha distante reina a norma...
Quando, negra colina, na noite imensa,
das minhas nuvens prenhes de poesia,
virá a tempestade mais intensa ?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meu Pai

Herança

Meu Pai, onde tu estejas,
tua luz será a minha,
luz guia e tão vizinha,
infinito que visceja.

Tudo o que meu olhar veja:
povos, mares, cidades,
veja sempre a verdade,
vinho da tua bandeja.

Assim eu sigo caminho
e vive comigo a certeza
que de ti herdei o porte,

o passo firme, a nobreza.
Deus me deu esta sorte,
a tua benção e carinho!

p/José Vieira Lima Filho
06.10.1921 30.09.1990 + in memoriam

quinta-feira, 26 de março de 2009

Um manifesto para Rosana


Para mil direções as coisas fluem.

O homem não torna-se diferente da natureza por ter dúvidas.

Não estranhe;

há tantos sentimentos em uma só pessoa:

difícil saber qual o mais forte,

qual se aventura a ser único.

Eu já não quero saber das respostas,

ver de antemão as saídas.

Só quero ter da estrada

a certeza que caminho.

As setas continuem a indicar direções:

cidades a quilômetros de distância.

Eu simplesmente ando

por todos os lados.

Por todos os lados há vida.

Todos os lados : a Vida.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O Menino Invisível


Monólogo da Velha

Bem-vindo a nossa casa,

quem nela sempre demora

Vívidalegriaquimora:

no coração ardem brasas.

Bem-vindo a nossa casa,

quem lhe deu tanto carinho,

vento invisível no ninho

do beijaflor bate asasas.

Seja bem-vindo, menino

do viso sempre alegre,

correndo feito uma lebre,

matreiro deusdodestino.

Seja bem-vindo, menino

que semprestevecomigo,

teu peito nu, meu abrigo,

teu desalinho, meu tino.

Eternos anos de lida

bulindo no caldeirão,

misturo co'a solidão

minhamargura de vida.

Eternos anos sozinha,

entresonhos e magia,

na deserta companhia

Da eternidade mesquinha.

Menino, vem com teu grito,

abate o velho direito,

transmuda o largonoestreito

desdiz o dito inaudito.

Menino, vem com teu fito,

pois se teu dorso não vejo,

ardonoadorno, harpejo
a tez do teu infinito.

Em 1983/1984 adaptei para teatro, a pedido de Humberto Pedrancini, o conto de Bradbury, O Menino Invisível. Ganhamos um prêmio de montagem da Fundação Cultural de Brasilia e Humberto dirigiu o espetáculo. Eu participei como ator. Na época, escrevi este monólogo em versos, que nunca mostrei ao Humberto e que pensava transformar em canção, o que nunca fiz. Dias atrás, criei esse blog . Como tinha que dar um nome, chamei-o O Menino Invisível. Ai me lembrei desse monólogo que tinha dedicado à minha tia Eloina e ao meu primeiro sobrinho e afilhado, Gregório.